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" Sopra o vento... A Lua muda no céu hoje não ouve meu lamento... E na escuridão que sempre me é abrigo, Espanto-me... vejo o pulsar de estrelas em seu negro manto... Brisa... Uma canção mais terna já esquecida se faz ouvir... E onde o som do vôo dos fantasmas ecoavam, Ouço o lufar de asas claras e místicas... Sinto paz... Afasto a mente que me obriga aos pensamentos... Deixo no peito um irreconhecível coração falar de sentimentos... E por um momento a escuridão se desfaz... Asas.. Brilhantes, radiantes, torrentes de luz pulsante... Anjo... esqueço a cabeça pensante... E revelo a Ti meu coração amante. ”

Wolf Júnior






Música
Don`t cha
The Possycat Dolls


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Quarta-feira, Janeiro 26, 2005




Aquele Outro
não via minha muita amplidão
Nada LHE bastava.
Nem ígneas cantigas.
E agora vã, te pareço soberba, magnífica
E fodes como quem morre a última conquista
E ardes como desejei arder de santidade.
(E há luz na tua carne e tu palpitas.)

Ah, por que me vejo vasta e inflexível
Desejando um desejo visitante
De uma Fome irada e obsessiva?

HILDA HILST


Vida


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Sábado, Janeiro 15, 2005




Sim, os olhos do abismo são castanhos.
E eu te amo em qualquer país, poço, nação.

Tenho sede.

Na sua dor eu me reconheço.
Você de inchados pés, arranca de mim
o que é mais precioso e doce.
O que é mais divino e víscera.

Desliza por minhas
coxas o seu sacro bastão. Flores, escudos,
espessas ternuras.
Sim, o homem é um adágio.
Um rio corrente que rasteja e morde.

Deus não é o perigo.
O perigo é nascer, parir, carregar óvulos, útero,
ser anônima, inquieta, inatingível.
Arder, depois murchar, repleta de memória e céu.

Sim o mundo é um terreno minado.
E o amor, um assombro.
Não é a primeira vez que me precipito e caio,
esgotada, cingida.

Ser pouco não me interessa.

A minha vagina, contraída, contém o universo e o
meu amor te chama, enquanto resgato em espirais
de esmeralda o destino dessa humanidade de prata,
ouro e merda.

(Marize Castro).


Vida


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Quinta-feira, Janeiro 06, 2005



Orvalha-se a madrugada
Dissipando nuvens plúmbeas
Despe-se enfim, a luz do amanhecer
Agora não é mais a solidão
Sombra para o teu olhar

Entregue à saudade do meu coração
Oferto-te o alvorecer dos meus dias
O amor que fulge, o delírio e a inspiração
Ouve também a súplica do meu peito
Quando o murmúrio da noite
Abrir-te o céu do meu olhar
Também saber-me-ás tua

Quando a lua tocar-te o rosto
E a fragrância das estrelas
Perfumar-te com os meus segredos
Então, deita-te apenas em meu silêncio
E beija as palavras despidas
Que o mistério dos meus lábios te revelará

Fernanda Guimarães


Vida


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Domingo, Janeiro 02, 2005




Quando entenderás, Homem,
Que em mim há um corpo que geme
Mas, para além dele,há uma Alma que implora?
Que há um cio velado que bruxuleia
Mas, para além dele, há o apelo do Espírito que clama?

Quando entenderás, Homem
A ordem singular da minha pirâmide,
E como lograrás conhecer as ocultas fibras do meu Ser,
Que queres percorrer com teus beijos
e chegar ao cerne que não abarcas?

Pois eu te digo, Homem!
Percorre primeiro os meandros da minha mente...
Devassa primeiro as planícies do meu coração...
Funde as duas coisas assim, sentimento e razão
E desfruta então do meu cio completo de mulher!

Fátima Irene Pinto


Vida


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