Domingo, Outubro 30, 2005
ainda que, um dia, me seja doloroso o amor
ama-me, como nenhum outro me amou. e há de amar.
(ainda que suas mãos nunca tenham deslizado entre as minhas coxas,
nunca soube de outras que me fizessem tremer. feito as dele).
foi assim: sem que me apercebesse de sua vinda (amor, era noite ou dia?),
veio e, devagar, fez-se. rompeu o delicado lacre do meu baú de resistências.
fez-se. flagrou-me a alma nua e me amou. tanto quanto é possível amar
alguém que teme o amor.
(ainda que de sua língua nunca tenha sentido a textura, nunca soube de outra
língua que me deixasse completamente úmida. feito a dele).
tem sido assim: absurdo e incoerente. mágico e permanente. tão constante
quanto o escoar do tempo na ampulheta. e tão certo quanto a noite engolindo o dia.
(ainda que seu corpo o meu não toque e que em sua cama meu cheiro não frutifique,
dentro de mim, em tempo algum existirá outro gozo que não me faça lembrar seu nome).
ainda que desconheça os calendários futuros e que em minhas mãos todas as linhas
se apaguem, somente a esse amor destinarei o segredo desta minha vida
viva.
mariza Lourenço
Vida
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Sábado, Outubro 22, 2005
eu...olho para o homem que me olha, enquanto minha vontade anda perdida em outras
mãos (que, sequer, me tocam).
você não me molha mais, eu penso. e perco a vez (mais uma) de dizer a ele que
meu ponto 'g' nunca foi lá.
meu homem me olha. meu homem, antes eu gostava de chamá-lo assim.
Antes. Quando ele me chupava e me lambia. Antes. Quando resfolegava de paixão sobre meu corpo.
Antes meu homem me fodia.
Agora outro homem não me toca.
Ando precisada daquelas mãos. Das mãos do meu outro homem. E de seus olhos.
De sua língua. E de seus dentes (eles rangem quando meu outro homem me come).
Ando desesperada de desejo. Por ele. (os lençóis guardam o segredo da minha umidade).
meu homem, esse que me olha, me quer. Eu sei.
Mas é outro homem que aprisiona minhas vontades.
Meu outro homem. Aquele que, sequer, me toca: agora.
mariza lourenço
Vida
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Sábado, Outubro 15, 2005
Língua que me cobre,
Sacia meus lábios, lambe meus delírios,
Prova de minhas viagens e volta...
Volta ao meu início e me recria
Flor, mulher, ..., dama, senhora, menina.
Homem de meus campos em estradas tuas
Onde caminha sobre meus sorrisos enluarados
Diz-me o que mais quer e dar-te-me-ei inteira
Cedendo-te minhas forças, meus suspiros quietos,
Aromas que espera, gemidos que implora.
Horas traçadas dentro do canto de minha boca
E teu gosto há de ficar em meus lábios sedentos,
Toca para teus devaneios, lúdicos desejos.
Eliane Alcântara.
Vida
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Sexta-feira, Outubro 07, 2005
Vida
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Sábado, Outubro 01, 2005
Deve- se estar sempre bêbado.
É a única questão.
Afim de não se sentir o fardo horrível do tempo, que parte tuas espáduas e te dobra sobre a terra. É preciso te embriagares
sem trégua.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude?
A teu gosto mas embriaga-te.
E se alguma vez sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de uma vala, na sombria solidão de teu quarto, tu te encontras com a embriaguez já minorada ou finda, peça ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo aquilo que gira, a tudo aquilo que voa, a tudo aquilo que canta, a tudo aquilo que fala, a tudo aquilo que geme. Pergunte que horas são.
E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio, te responderão.
É hora de se embriagar !!!
Para não ser como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te.
Embriaga-te sem cessar.
De vinho, de poesia ou de virtude. A teu gosto...
(Charles Baudelaire)
Vida
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