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" Não devias ameaçar-me com esta solidão - venho de porto sem búzios: destinos diversos cruzando-se na soleira dos meus olhos. Não devias ameaçar-me: refaço minha travessia e te provo que meu coração sobrevive à ausência de bússola! ARRIETE VILELA




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" "E por nada te desfaças. Segura-te naquilo Que tens de mais profundo: O teu amor. Nada termina, nada passa, Tudo continua até que se faça Novamente. Confia em ti No que tens de grandioso em teu peito E acredita. Lança-te sobre o mar Sob o sol Te enlaces no vento... no vento... E deixa-te fluir naturalmente. Sinta a terra e alegra-te. Faça-te maior a cada dia E esquece a angústia. Tu és maior que a dor. Tu és eterno e contínuo. Nada poderá deter-te os passos. Creia no que tens nas mãos E no coração. Agarra-te à Luz Porque a luz foi feita para ti. Agarra-te à vida Porque a vida toda é para ti. Agarra-te à felicidade Porque a felicidade é também para ti. Quebre todas as correntes... Abra todas as portas... Derrube todos os muros... Serre todas as grades e Voe... Porque tu podes voar! Autora: Claudia Sleman - Rahna "





"O tempo passou. Dizem que tempo é remédio para tudo. O tempo faz a gente esquecer. Há pessoas que esquecem depressa. Outras apenas fingem que não se lembram mais..." Erico Verissimo


30.4.07




Hoje, meu amor,
Eu compreendi que não há maior extensão de uma magia do que
a impossibilidade do toque
e não há maior sedução que o sonho impossível..."

(Yriana Marques)

Vida


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26.4.07




carinho espontâneo
escasso
sexo sem toque
sem amasso
amor
dor
não se explica
Inquieto
coração agita
contigo
ao teu lado
silêncio vazio
abandonado
mãos dadas
nesse caminho
olhos vendados
nesse destino

Vida


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15.4.07




De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
? vazio ? de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.


Carlos Drummond de Andrade

Vida


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7.4.07





Vida


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